sábado, 21 de fevereiro de 2015

Ciclovia na Estrada Marginal que liga Cascais a Lisboa.

DR
Ciclovia na Marginal é “utopia”, diz vereadora de Oeiras.
Marginal Oeiras
A construção de uma ciclovia na Estrada Marginal que liga Cascais a Lisboa é uma “utopia”, mas a dedicação de uma faixa para usufruto exclusivo de ciclistas e peões aos fins-de-semana é uma ideia realizável e “barata”, considera a vereadora com o pelouro das Obras, Trânsito de Transportes na Câmara de Oeiras.
“Há sonhos que não são realizáveis”, considerou a autarca Madalena Castro em entrevista, a propósito da proposta de dedicar uma das quatro faixas da Marginal para uso permanente de ciclistas.
A ideia foi sujeita a votação no último orçamento participativo da Câmara de Oeiras por um grupo de cidadãos e venceu destacada, mas a autarquia retirou a proposta.
“A aceitação [da proposta para votação] foi um erro técnico”, argumenta Madalena Castro, já que a sua execução está fora da alçada do Município, por a Marginal ser propriedade da empresa pública Estradas de Portugal, que também gere a via, uma opinião que já havia sido avançada anteriormente pelo vice-presidente da autarquia, Carlos Morgado, também em entrevista ao Pedais.pt
“A questão deve ser colocada à Estradas de Portugal” e não à autarquia, acrescenta a vereadora, que, tal como o presidente da Câmara, Paulo Vistas, foi eleita pelo movimento independente Isaltino – Oeiras Mais à Frente.
A criação de uma faixa destinada à circulação de bicicletas nos 5,8 quilómetros da Marginal situados em Oeiras obteve 2308 votos no Orçamento Participativo de 2014, enquanto a segunda candidatura – “Aquisição de uma Viatura para transporte de doentes não urgentes” – conseguiu 887 votos.
O projeto está orçado em 286 mil euros e prevê que a via destinada a ciclistas tenha uma largura de 2,4 metros., de acordo com os seus defensores.
Madalena Castro começou por afirmar que não conhecia “nenhum projeto de criação de um ciclovia na Marginal”, mas ao longo da entrevista ao Pedais.pt acabou a referir por várias vezes a proposta, nomeadamente para afirmar que os custos da obra não seriam suportáveis pelas verbas destinadas ao Orçamento Participativo, que dispõe de uma verba anual de um milhão de euros.
Acresce ainda que, na opinião de Madalena Castro, a Marginal prolonga-se também pelos concelhos de Lisboa e Cascais, pelo que qualquer intervenção do género da que é proposta tem que envolver os municípios dos três concelhos e a empresa proprietária da via.
O “sonho” da ciclovia na Marginal não é, contudo, completamente irrealizável, como acabaria por reconhecer a autarca ao afirmar que se a Estradas de Portugal decidisse avançar com uma proposta “fundamentada” e “apresentasse estudos” que justificassem o projeto, “a Câmara não se oporia”.
A “utopia” da questão está no facto de “ser só a Câmara de Oeiras” a ser confrontada com a proposta, sublinhou, embora em Cascais o assunto também já tenha sido abordado.
E não porque no concelho não tenha havido líderes autárquicos a “sonhar” com projetos que acabaram por se realizar.
Um desses “sonhos”, contou a vereadora, teve-o “há mais de 20 anos” o anterior líder da autarquia, Isaltino Morais, ao achar possível vir a construir um passeio que permitisse percorrer a pé toda a frente riberinha do concelho, o que, realça Madalena Castro, está prestes a concretizar-se.
Praticante de ciclismo aos fins-de-semana e adepta confessa do uso da bicicleta “em segurança”, como salientou por várias vezes na conversa com o Pedais.pt, a eleita, com 59 anos, que ocupa o terceiro lugar na hierarquia da Câmara de Oeiras, defende com veemência, e aí também na condição de utilizadora da bicicleta, que uma das quatro vias da Marginal seja dedicada, durante algumas horas por dia, aos fins-de-semana, à circulação de ciclistas e peões.
“Para isto não é preciso muito dinheiro. Basta colocar uns pinocos de plástico a fazer a separação”, adiantou, revelando que a questão não depende da sua tutela mas do vereador do Desporto, com quem já disse ter falado sobre a ideia.
Quanto às críticas que os defensores da ciclovia na Marginal fazem à autarquia de não criar condições alternativas ao automóvel para as deslocações no concelho, Madalena Castro recorda a recente inauguração de um troço para peões e ciclistas entre Algés e a Ribeira do Jamor, com 950 metros de extensão, e o concurso que vai ser lançado para “requalificar” a pista de betão que já existe a partir daquele curso de água, na Cruz Quebrada, até à Curva do Mónaco, e o prolongamento desta via para ciclistas e peões até à Baía dos Golfinhos.
No total, a nova obra vai ter uma extensão de 1987 metros, que irão levar piso novo sobre a pista de betão já existente. O concurso público aprovado recentemente pela Câmara tem o valor-base de quatro milhões de euros, que a veradora espera vir a baixar, “atendendo à experiência recente” de outros concursos de obras.
Outro projeto da agenda do Município, acrescentou, é a criação de percursos para ciclistas e peões nas margens das sete ribeiras que atravessam o concelho para desaguar no mar, ligando assim grande parte do território de Oeiras à frente ribeirinha e ao passeio marítimo já existente.

M.M.

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