domingo, 12 de junho de 2016

10 dicas para as bicicletarias atenderem melhor suas clientes mulheres.

Um novo relatório da ‘Liga dos Ciclistas Americanos’ sugere que mulheres podem “salvar” as bicicletarias de bairro – isso se as más experiências no atendimento não as fizerem dar meia-volta.
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É uma situação comum para a maioria das ciclistas – até para aquelas que trabalham na redacção da revista Bicycling: ao se aventurar em uma bicicletaria em busca de peças específicas, o mecânico te subestima como se você não soubesse diferenciar uma válvula Presta de um buraco no chão. Ou pior – só dirige palavra ao seu acompanhante masculino, mesmo quando é você quem está fazendo todas as perguntas.
Um novo relatório de 27 páginas da ‘Liga dos Ciclistas Americanos’ sobre estratégias para tornar o mercado no ramo ciclístico mais acolhedor às mulheres mostra que não estamos sozinhas ao acreditar que as pessoas donas de bicicletarias poderiam nos respeitar um pouco mais. A bicicletaria como conhecemos está morrendo, segundo o relatório. E mais: apesar de mulheres “representarem a nova maioria entre proprietários adultos de bicicletas, somando 51% dessas pessoas”, 62% das mulheres que possuem esse veículo não fizeram uma única visita a uma bicicletaria no último ano (comparado a 56% dos homens com bicicleta).
Há o indício aqui de que muitas mulheres se sentem intimidadas ou desconfortáveis em bicicletarias – principalmente se elas já tiverem passado por uma má experiência em um desses locais. Certamente, há várias bicicletarias bem-sucedidas em fazer as mulheres se sentirem bem-vindas. Mas por que várias dessas lojas ainda estão falhando nesse aspecto?
Perguntei às minhas colegas aqui na Bicycling sobre o que as bicicletarias podem fazer para se tornarem mais amigáveis às mulheres – e garantir a sustentabilidade desse negócio a longo prazo- e aqui vão suas respostas. (Não é surpresa que várias das sugestões se aplicam a atendentes ao lidar com ciclistas em geral, não apenas com mulheres)
1 – Não presuma que ela é iniciante. Não assuma que ela não é. Você deve fazer isso com qualquer cliente, inicie a conversa para sentir o nível de experiência da pessoa e trabalhe em cima disso. Você se sentirá grato por ter tirado um tempo para entender a situação e assim se poupar da gafe de explicar conceitos básicos para uma ciclista profissional que entrou na sua loja com roupas “civis”. Se acontecer de você estar lidando com uma iniciante, não apenas venda para ela uma bicicleta – mostre para ela outros acessórios de que ela possa precisar.
2 – Lembre que “ser mulher” não é um nicho. Nós somos ciclistas de estrada, urbanas, mountain bikers, corredoras de ciclocross, bike messengers, cicloturistas e mais. Não nos categorize ou estereotipe. Nós temos tantas necessidades e interesses quanto homens têm na estrada (ou trilha!).
3 – Stoque diferentes produtos para mulheres em diferentes tamanhos – de bikes XS (extrapequeno) a roupas de ciclismo plus size. E faça os produtos para mulheres serem tão atraentes quanto os dos homens, diz a editora Emily Furia. “Não atulhe duas jerseys femininas numa arara gigante toda cheia de coisas para homens, nos forçando a escavar por elas como se nós estivéssemos na TJMaxxx (um lugar incrível para fazer bons negócios, mas uma experiência de compra não tão agradável).”.
4 – Não pressuponha que ela quer uma bicicleta feminina – A editora Gloria Liu nos contou essa história: “Uma amiga minha recentemente teve a bicicleta Liv Avail empurrada para ela em várias lojas (apesar de ela dizer repetidamente que ela não gostava da posição em que essa bicicleta específica a colocava), então ela me perguntou: “Afff, eles estão recebendo alguma comissão especial para vender essas coisas?” A geometria comumente usada em bikes para mulheres – top tube mais curto a cabeçote mais alto – não se ajusta a todos os corpos femininos ou estilo de pedalada. E homens com pernas longas e torso curto poderiam ser melhor atendidos por uma “bike de mulher”, dependendo da sua posição de pedalada preferida.
5 – Nos leve a sério quando dissermos que podemos fazer tarefas de mecânica, diz Emily Furia. “Em uma tenda de demonstração de um gran fondo eu tive que explicar para o cara que trabalhava lá TRÊS vezes que eu sabia como instalar os pedais antes de ele me repassar a bike de teste sem os pedais.”. E também gostamos de trabalhar nas nossas bicicletas, então se atenha ao reparo pedido a não ser que se diga o contrário.
6 – A regra de ouro de todas as interações humanas: Não seja um escroto. Molly Hurford, da redação, reduz isso a poucos e simples pontos. “Não menospreze uma mulher, não dê em cima delas, e não parta de pressupostos sobre o tipo de pedal que elas fazem.”
7 – Faça pedaladas, eventos e aulas de mecânica direcionadas para mulheres. Muitas mulheres se sentem muito confortáveis em lojas de bikes, mas outras não. E a maioria vai ficar bastante entusiasmada em ter novas parcerias de pedal. “Pergunte se ela tem amizades para pedalar junto”, diz a contribuidora Selene Yeager. “Eu vi uma pesquisa interessante sobre o fato de as mulheres pedalarem mais se elas tiverem companhia. Ajude-a a encontrar uma comunidade.”.
A editora associada Taylor Rojek, que costumava trabalhar em loja de bicicleta, concorda. “Nós tínhamos um pedal para mulheres que era ótimo para apresentá-las umas às outras e fazia crescer essa rede,” ela diz. “Uma coisa que fiz pessoalmente foi perguntar para as mulheres que estavam comprando bicicletas novas se elas queriam dar uma pedalada. Havia muitas que tinham muito medo de pedalar nas ruas sozinhas com suas bikes novas e caras. Se você adiciona alguém que apoie, encoraje e saiba o que ela está fazendo, se torna uma experiência muito mais positiva.”
8 – Pergunte aos seus clientes – tanto mulheres quanto homens – o que eles querem da sua loja.
A bicicletaria para mulheres Gladys Bikes em Portland, Oregon, resumiu tudo numa ciência. “Nós temos essa coisa chamada ‘GAB’, a mesa de Conselho Gladys, feita por clientes fornecendo‘feedback’ sobre o que elas querem de uma loja específica para mulheres.”. A dona da loja Leah Benson diz “nós estamos constantemente pesquisando o que significa construir um espaço que seja relevante para uma grande comunidade de mulheres sempre perguntando à nossa mesa: ‘Ei, o que vocês querem ver?’. Nossa “biblioteca de selins” veio disso. Várias mulheres viam o conforto do selim como uma barreira para pedalar, então dissemos: ‘Ei, nós podemos fazer sua bunda ficar mais confortável!’”.
9. Fale sobre selins, sugere Selene Yeager. “Ouvi de inúmeras pessoas inteiradas na indústria de marcas top que esse é o principal assunto/problema não mencionado que afasta as mulheres em relação às bicicletas. Eles são desconfortáveis “lá embaixo” e elas não se sentem à vontade para falar sobre isso. Homens nas bicicletarias geralmente ficam sem jeito na hora de abordar esse tema. Mas alguém TEM QUE FALAR SOBRE ISSO, ou muitas mulheres simplesmente não pedalarão.”.
10. Contrate mulheres! Diz Taylor Rojek. “A minha presença na loja tornou todo o atendimento mais confortável para muitas mulheres, e isso se repercutiu muito bem entre elas.”. 
Em: http://chavequinze.com/2016/01/06/10-dicas-para-as-bicicletarias-atenderem-melhor-suas-clientes-mulheres/
MM

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