sexta-feira, 3 de abril de 2015

Comeu muito chocolate na Páscoa?


Comeu muito chocolate na Páscoa? Conheça seus Benefícios e Malefícios..
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Ele está por a toda parte. 
Na Páscoa, fileiras de ovos de chocolate se multiplicaram nos supermercados e nas doçarias, exigindo muita força de vontade de quem não pode ou não quer sucumbir à tentação.
Altamente calórico, o chocolate é o vilão das dietas, mas pode ser consumido com moderação por pessoas saudáveis.
Nutritivo, contém vitaminas e sais minerais, além de alto teor de flavonóides –antioxidantes que podem ajudar a reduzir os riscos de doenças cardiovasculares– e de substâncias precursoras da serotonina –responsável pela sensação de prazer e bem-estar.
Para esclarecer as principais dúvidas e curiosidades a respeito dessa iguaria, a Folha ouviu 17 profissionais da indústria de chocolate e das áreas de dermatologia, endocrinologia, nutrição, otorrinolaringologia, pediatria e psiquiatria.
1. Chocolate faz bem para a saúde?
Alguns estudos, não conclusivos, dizem que os antioxidantes presentes no chocolate amargo combatem os radicais livres, retardando, assim, o envelhecimento, e ajudam a diminuir os níveis de LDL (o mau colesterol) no sangue.
Ele contém vitaminas –A, B, C, D e E– e sais minerais, como o ferro e o fósforo.
De qualquer modo, por ser altamente calórico, deve ser consumido com moderação inclusive por pessoas saudáveis.
O chocolate ao leite e o branco são os menos recomendados, devido às gorduras saturadas presentes no leite.
2. Qual é a quantidade recomendada por dia?
A Organização Mundial de Saúde não recomenda o consumo de nenhum tipo de doce.
Para quem não resiste, o importante é não ultrapassar o limite diário de até 50 gramas, em função dos altos teores de açúcar e gordura.
3. Qual é o mais e o menos calórico?
O chocolate amargo e o ao leite têm praticamente as mesmas calorias.
4. O “diet” engorda? E o “light”?
Como não tem açúcar na composição, o teor de gordura do “diet” precisa ser maior, para garantir a mesma consistência.
Em alguns casos, ele chega a ser mais calórico que o chocolate comum, por isso é indicado apenas para diabéticos, não para pessoas com restrição calórica.
Já os “light” têm menos gordura e, por isso, menos calorias.
5. Quem não deve comer chocolate de jeito nenhum?
Pessoas sensíveis podem ter enxaqueca provocada por alergias ou devido à ação de substâncias vasodilatadoras presentes no chocolate, além de irritações na pele, no estômago e na mucosa intestinal.
A tosse pode ocorrer como manifestação alérgica, embora não seja comum.
A diarréia pode ser causada pelo consumo excessivo, devido ao alto teor de gordura, razão pela qual pessoas com problemas no fígado devem evitá-lo.
Estima-se também que de 10% a 15% das pessoas com doenças labirínticas tenham problemas com o metabolismo de açúcar.
6. E as crianças?
A partir de que idade o consumo de chocolate é liberado?
 Ele deve ser desestimulado em qualquer idade, devido ao alto teor de açúcar e gordura.
Quanto mais cedo a criança começar a comer chocolate, pior.
No primeiro ano de vida, as chances de intolerância à lactose (açúcar encontrado no leite animal) são maiores.
7. Qual o é o efeito dele na pele? Dá espinha?
E dos cosméticos à base de chocolate?
Nenhum estudo científico comprova a relação entre o consumo de chocolate e o surgimento de espinhas.
Alguns dermatologistas, no entanto, afirmam que pacientes com propensão à acne relatam piora após a ingestão exagerada de chocolate.
Já os efeitos de cosméticos e tratamentos para a pele à base de chocolate, disponíveis desde a Antigüidade, são duvidosos.
O óleo do cacau hidrata a pele apenas superficialmente, podendo ser usado em peles ressecadas ou envelhecidas, embora existam produtos mais eficazes.
8. Chocolate pode causar dependência?
Sim. Ele contém três substâncias que podem provocá-la: a teobromina, a cafeína e a feniletiamina. Para ser caracterizada como dependente, a pessoa precisa consumir chocolate para se sentir bem ou ter sintomas depressivos quando fica muito tempo sem comê-lo.
Geralmente, o problema afeta os indivíduos angustiados e os ansiosos.
9. Como são os chocolates especiais para pessoas alérgicas à lactose e ao glúten?
A maioria dos produtos voltados a pessoas com intolerância à lactose utiliza o leite de soja no lugar do leite de origem animal.
Como alternativa, existe o chocolate amargo, que não leva leite na sua composição.
Já as pessoas com intolerância ao glúten devem consultar as informações no rótulo do produto para se certificar que o recheio ou os outros ingredientes são livres da substância.
Chocolate puro não contém glúten.
10. Por que, ao comê-lo, sentimos melhora de humor e alívio no estresse?
Porque ele contém substâncias que estimulam a produção de serotonina, um neurotransmissor que ajuda a combater a depressão e a ansiedade, além de estimular os centros de prazer e de bem-estar.
11. Chocolate é afrodisíaco?
Dessa crença popular, difundida há séculos, o que se sabe é que ele estabiliza neurotransmissores relacionados a sensações prazerosas, como a dopamina e a serotonina, e favorece a liberação de endorfinas e encefalinas que produzem o prazer.
12. Se a pessoa concentrar o consumo do ano todo na Páscoa, pode ter uma intoxicação?
Ela só vai ocorrer se o chocolate estiver contaminado por alguma toxina.
Mas o consumo exagerado pode provocar diarréia.
13. Qual é o prazo de validade de um chocolate?
Ele dá algum sinal de que está impróprio para o consumo?
Em seis meses, ele começa a perder o sabor e o aroma, mas pode durar até um ano.
Quando é submetido ao calor excessivo, a sua gordura sobe à superfície: o chocolate fica manchado, mas não significa que está estragado.
14. Por que se diz que os chocolates belgas, franceses, suíços e venezuelanos são tão superiores aos brasileiros?
Países europeus, como Bélgica e Suíça, não plantam o cacau que utilizam.
Sua fama de fazer bons chocolates decorre dos grãos utilizados, da tecnologia empregada e da tradição –os suíços foram os primeiros a fabricar chocolates ao leite, e os belgas lideram o mercado de produtos voltados a profissionais.
Na Venezuela, o grão de cacau é superior ao brasileiro, considerado ácido por alguns.
15. Assim como ocorre com o café e o vinho, as características do chocolate podem variar de acordo com o tipo de solo e de clima?
Sim.
A quantidade de calor, de umidade, o tipo de solo e a variedade do grão interferem na qualidade do cacau.
Assim como acontece com as uvas, uma pequena variação ou um declive do solo pode alterar o aroma, a textura e o sabor do fruto que dará origem ao chocolate.
Quando ele é produzido com grãos de uma região específica, é chamado de chocolate de origem.
Os grãos cultivados na América costumam ter um sabor mais marcante de frutas, ervas e flores, dependendo da região.
16. Os chocolates com mais cacau são os melhores?
O conceito é relativo, já que depende do gosto pessoal.
Mas, quanto maior a quantidade de cacau, menor a de outros ingredientes que mascaram o seu sabor. Para um chocolate derreter facilmente na boca, a quantidade de manteiga de cacau é determinante, porque seu ponto de fusão é a temperatura do corpo humano: quando entra em contato com o calor da boca, o chocolate derrete.
17. Por que se presenteia na Páscoa com ovos de chocolate?
O costume começou há cerca de 3.000 anos com os chineses, que comemoravam o início da primavera no Hemisfério Norte, oferecendo ovos de pata e galinha pintados em cores fortes.
O ritual pagão celebrava a volta à vida, após um inverno rigoroso e os longos meses em que a natureza permanecia coberta de neve.
A data coincide com a Páscoa cristã, que marca a ressurreição de Cristo. Com o tempo, o costume se espalhou pelo mundo, e outros materiais substituíram o ovo animal, como a madeira e as pedras.
Em meados de 1828, o desenvolvimento da indústria de chocolates na Inglaterra consolidou o produto como matéria-prima nesta época.
No Oriente, no entanto, os ovos de chocolate ainda não foram totalmente incorporados à cultura.
BENEFÍCIOS DO CHOCOLATE
O chocolate foi sendo reconhecido não só pelo seu delicioso sabor, mas também pela presença de substâncias chamadas de fitoquímicos, as quais demonstraram em pesquisas científicas benefícios potenciais à saúde do ser humano. Um exemplo de um grupo de fitoquímicos presente no cacau e de importante destaque é o grupo dos flavonóides.
As sementes de cacau e seus derivados (como o chocolate amargo, o cacau em pó e a massa de cacau) são fontes alimentares ricas em flavonóides, devido ao alto teor destes compostos nas sementes (em torno de 12 a 18%),  sendo que cerca de 60% do total deste grupo de fitoquímicos é formado essencialmente pelas catequinas, epicatequinas e procianidinas.
Estes componentes podem agir como potentes antioxidantes no organismo, além de diminuir o risco de doenças cardiovasculares e câncer.
Também podem melhorar a saúde do coração promovendo um fluxo adequado de sangue (reduzindo a pressão sanguínea), diminuição da tendência à agregação plaquetária (evitando infarto e acidente vascular cerebral) e a diminuição da oxidação do LDL colesterol.
Além de serem encontrados no chocolate, os flavonóides também estão presentes no vinho tinto, no chá verde, nas frutas e nos vegetais.
Entretanto, a concentração de flavonóides no chocolate depende dos procedimentos usados durante a industrialização do cacau, os quais preservam a maior quantidade possível dessas substâncias no alimento, já que esses compostos são facilmente destruídos pelo calor.
A teobromina é outro fitoquímico (do grupo dos alcalóides) também presente em grande quantidade nos produtos de cacau.
Em cada 100 gramas de chocolate é possível encontrar 160 miligramas de teobromina.
Essa substância tem ação diurética, como também tem ação semelhante à cafeína, como estimulante do sistema nervoso central, do sistema respiratório e dos músculos cardíacos.
Além disso, o chocolate é rico em alguns minerais (tais como manganês, potássio e magnésio) e algumas vitaminas (como as vitaminas do complexo B por exemplo). Também apresenta em sua composição um tipo de gordura insaturada chamada de ácido oléico, sendo este conhecido por auxiliar na redução de colesterol.
Alguns tipos de chocolate, principalmente aqueles mais escuros e com menor teor de açúcar, têm maior potencial de contribuir para a saúde em relação aos chocolates branco e ao leite, devido a maior quantidade de cacau presente em sua composição.
Mesmo sabendo de todos os benefícios deste alimento, é importante salientar que todo o tipo de chocolate deve ser consumido com moderação.
 Portanto, procure a orientação de um profissional Nutricionista.


M.M.

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